Next Life


Nesse mundo, nunca estamos sozinhos.

Às vezes somos capazes de sentir uma pessoa chegando, isso é sentir uma presença, só que algumas das vezes, não vemos ninguém se aproximando e isso acaba nos causando um grande pânico ou em alguns momentos uma espécie de calor, como se alguém estivesse realmente próximo de nós.

Um exemplo seria uma pessoa que se diz ser solitária, será que na verdade ela não se sente sendo vigiada, por isso sempre procura um canto. Prova de que ninguém realmente está sozinho.
Porem não se sabe se realmente existe algo em torno de nos e nem se estão ali para o bem ou para o mal. Os mais velhos costumam contar historias para os netos de anjos da guarda, seres místicos maravilhosos e que sempre estarão ali para nos ajudar no que precisarmos e ao mesmo tempo também nos diziam que espíritos do mal rondavam a terra nos piores locais, mas que sempre teríamos nossos protetores para nos salvar. Que bastava apenas acreditarmos de coração em nossos anjos, que eles viriam a nossa salvação.
Só que infelizmente, como tudo, ao passar do tempo foi se perdendo essa crença, e hoje em dia é raro escutar falar nesses assuntos.
Isso é o que o jovem dessa historia achava, ou melhor, acreditava realmente ser a verdade, mas ele estava enganado...

Remorsos


-        Zac, saia desse quarto, vamos. Já está ai a tarde toda, hoje não tem treino? Em meu filho. Diz alguma coisa, não tem como você permanecer nesse silencio por mais tempo. Já se passaram três anos desde aquele dia.
-        Em Zac, responde? Ou não vai nem falar comigo?
-        Pois é, sabia que é hoje! E a três anos que era pra senhora nem falar mais comigo, sabe que não era pra ele ter ido e sim eu.
-        Isaac, seus amigos já cansaram de dizer, você não tem culpa pelo que aconteceu, você não podia fazer nada e...
-        É por isso mesmo, a senhora disse tudo, EUUUUU não pude fazer nada, fiquei lá apenas parado, afugentado pelo medo de sempre, me diz, por que eu tenho esse negócio na minha vida, por que sou capaz de senti-los se nem ao menos os vejo em, POR QUEEEEEE?
-        Meu filho você... – minha mãe é interrompida com a porta se fechando.

Apenas sai de casa e não a respondi mais. Ela não tinha culpa e nem merecia ficar escutando meus desabafos, para ser sincero ninguém merecia, por isso mesmo resolvi ficar com tudo pra mim mesmo. Era inútil compartilhar esses sentimentos com os outros, porem a três anos que venho fazendo isso, e às vezes, como qualquer outro recipiente nessa vida, eu fico cheio, e é por isso treino sem parar na academia de kendô da minha cidade, afinal também é uma forma de agradecê-lo. Há três anos minha vida era como a de qualquer jovem: estava no meu ultimo ano da escola, tinha vários amigos, mas amigos de verdade, disposto a fazer qualquer coisa a qualquer momento por você. Tinha uma menina por quem era afim, e tinha um melhor amigo, amigo pelo qual havia me inscrito nas aulas de kendô, ele já freqüentava há algum tempo, e sempre me convidava, mas toda vez dizia que depois iria, e assim fico até o ultimo ano do segundo grau.
Minha vida não era monótona, os dias na escola eram legais, zoávamos sempre que possível. Adorava contar para as meninas que sentia fantasmas perto delas, ou nos cantos escuros da escola como no auditório. Tudo bem, às vezes eu sentia uns cala frios mesmo. Minha mãe dizia que conseguia ver nossos parentes já mortos, mas nunca tinha acreditado realmente nela, e gostava de usar isso para brincar com os outros. Claro que não me esquecia de manter as notas equivalentes ao necessário para passar de ano sem nenhum problema. Não tinha do que reclamar, realmente tinha uma vida até interessante.
Pois é, quem diria que essa vidinha mais do que normal, mudaria tanto depois daquele dia.


Há três anos

-        Zac? Isaac ta me ouvindo? Vamos cara, não demora ai.
-        Calma Leon, falei que vamos sair daqui a pouco.
-        Na moral cara, já falei pra me chamar direito, é Leonidas, Leon não pega bem.
-        Hahaha! Desde quando você ficou assim, sempre te chamei de Leon, desde nosso jardim de infância, e mais... – fui interrompido por passos se aproximando
-        Psiu! Fica quieto cara, acho que são elas.
Não era difícil saber o que iríamos fazer, novamente estávamos no auditório preparando algo para assustar as meninas, naquele dia tinha escutado que Mary e suas amigas iriam ensaiar para a apresentação do trabalho de historia. Era muito fácil assustar as meninas, todas eram medrosas.
-        Hei meninas, vamos logo, daqui a pouco já esta na hora de entregarmos a chave e ainda não fizemos nada.
-        Ta Mary já escutamos, ih olha só, parece que deixaram a porta aberta, ou será que tem alguém aí dentro.
-        Para de inventar Nina, a coordenadora nos disse que ela mesma tinha acabado de trancar.
-        Hei vocês duas, parem de falar e apenas entrem. – disse Regina, a outra integrante.
Olha, é serio, eu juro que na hora que elas entraram eu ainda pensei em não fazer nada, mas não me segurei. Então quando vi a Regina estava sendo a primeira a entrar, puxei ela rapidamente pelo braço tampando a sua boca e a escondi atrás da cortina, tava bastante escuro a sala, então não deu para ela ver nada direito, e foi tudo rápido que ela nem conseguiu gritar, para evitar susto maior, na hora em que eu puxei, já fui dizendo que era eu e que ela deveria ficar calada. Na verdade essa brincadeira toda estava sendo armada para pregar uma na Nina, que por causa de um comentário besta, eu e Leon tivemos que ficar limpando a parede da escola. Vê se pode, apareceram um desenhos bem dos fei sabe, e disseram que fomos nós dois, ta pode até ter sido, mas ela não tinha nada que ter nos dedurado, né?
Quando Leon me viu puxando a menina, já sabia que deveria fazer o mesmo, e fez, logo que Nina entrou na sala ele a puxou para dentro e só a segurou pelo braço, sem tampar a sua boca, queríamos gravar os gritos de medo dela, e pra piorar mais ainda o lado dela, o doido do Leon me inventa de mostrar o rosto dele, que por sinal estava coberto por uma mascara de Jason. Na real, a Nina gritou muito, e com os berros dela, Mary entrou gritando também toda preocupada, aclamando pelas meninas e perguntando quem tava ali. Cara, era muito engraçado, nessa altura só a Nina e ela estavam sendo enganadas. Regina já sabia de tudo e estava se segurando para não rir e chamar a atenção das meninas, eu resolvi assustar a Mary logo, havia posto uma cabeça de boneco pendurada na cortina, e fui pelo outro lado para assusta-la, chamei pelo seu nome com cuidado.
-        Maaaryyyyyyy!
-        Hãn, quem taí? Responde, ai meu deus, é uma assombração, diz.
Na boa, pensa um pouco, em que lugar desse mundo, se você esta numa sala escura, e escuta sua amiga gritar, e a outra sumiu, você pararia pra perguntar se era uma assombração? Obvio que nem precisa responder.
-        Maaaaryyyyyyyy!
-        Ah, quem taí, meninas cadê vocês, é vocês que tão fazendo essa voz né, hei alguém responde. Eu to ficando com medo, arhg!!! – com a ajuda do Leon e Regina, empurrou o boneco nela.
-        O que foi isso, alguém me tocou, meninas?
-        Aqui atrás Mary!
Havia pedido para os outros dois se arrumarem, tinha comprado um sangue caseiro, então pegamos uma das camisas do pessoal do teatro, e falei pro Leon colocar na Regina, ela podia ser uma das melhores amigas da Mary, mas ela não deixava de ser uma parceira de zoação, então ela vestiu a camisa e Leon a melecou toda com o sangue falso, e então na hora em que Mary virou, acendi uma das luzes, e ela viu a Regina no chão.
-        O que, o que, que... AI MEU DEUSSSS, REGINAAAAAAAAAAA! – Mary gritou desesperada.
-        Mary corre ou eles vão te pegar. – disse baixo Regina, se fingindo de esfaqueada.
-        Quem Rê, quem fez isso com você? Isso é sangue? – ela a põe em seus braços.
-        Eles Mah, os espíritos derradeiro, eles esfaqueiam as belas moças, é melhor você... Cof cof
-        Rê, resista, para com isso, Rê... ALGUEM ME AJUDEEEE!
Eu não vo mentir, a Regina mandava muito bem nas artes cênicas, cara ela merecia ganhar o Oscar, até eu fiquei com pena dela, e quase acreditei nesses espíritos derradeiros, mas logo me recompus, afinal ainda não tinha ‘’matado’’ a Nina, que estava vendada e amordaçada, tava tão legal brincar com a Mary, que quase me esqueço da outra. E também, Mary tava muito fofa, com medo.
Resolvi pedir para que o Leon tirasse a venda da Nina, para que ela visse as meninas, e rapaz, foi tiro e queda.
-        Mary, é você? Porque estava gritando, quem é essa no chão?
-        Nina, estamos perdidas.
-        Rê, é ela, ai meu deus, quem fez isso, o que esta acontecendo aqui.
-        São espíritos Nina, espíritos como o Zac sempre nos conta e... é mesmo, o Zac, isso ta me cheirando a mais uma dele.
Essa foi a deixa, quando Mary disse isso, nem a Regina se seguro mais, começo a rir bem baixinho, sabia que não iria durar mais, então apareci bem devagar atrás da Nina e coloquei uma mão sobre o ombro dela.
-        Hã! O que foi isso? – pergunta Nina, olhando sobre o ombro.
-        Buh!
-        Ma-ma-ma-ma-ma, MARYYYYYYY...
Acredite, foram as ultimas palavras dela, Nina desmaiou na hora, igual uma pedra, e o que aconteceu, Mary a segurou com a maior preocupação, e eu, Leon e Regina, caímos na maior gargalhada, não estávamos nem aí pra menina. Era pra ela aprender a não dedurar mais um amigo.
Mary ao nos ver rindo, disse que não teve a menor graça, e que ela realmente achou que estavam perdidas, que não teriam mais volta e que ali seria o fim delas, e quando ela acabou de dizer isso, deixou uma lagrima escorrer.
-        Para Mah, sabe que tudo isso não existe, já tem anos, que os meninos e eu implicamos com vocês, como não aprenderam ainda?
-        Você também Rê? Eu me preocupei realmente, achei que você deixaria esse mundo.
-        Ah, minha cabeça! – disse Nina, meio grogue.
-        Nina, você ta bem?
-        Mah, o que ouve? Onde estamos?
-        Calma Nina, como sempre, tudo não bastava de mais uma das piadas deles, os sem graça. – disse apontando para nós dois.


Há três anos


 -        Ei, sabia, vocês dois tem problema? Só pode. Como puderam me assustar assim, o que eu fiz para vocês.
-        Ah, fala serio né, não se faça de boba, quem foi que contou pra professora sobre os desenhos do Leon na parede.
-        Zac, como assim? Foi você que desenhou.
-        Leon, não interfira, não importa quem foi. Ela não tinha direito nenhum de nos dedurar, e ainda se diz nossa amiga.
-        Vocês são doidos mesmo, primeiro, eu não falei nada seu estúpido, a professora descobriu por causa da câmera, segundo, falaram para ela, mas como disse não fui eu e sim os moleques do segundo ano, lembra que vocês arrumaram confusão com eles semana passada?
-        É mesmo Leon, você discutiu com os pirralhos né?
-        Heimmmmm, ta doido, foi você que bateu neles. Por que tudo que da merda na escola fui eu?
-        Haha, é mesmo fui eu, né! Ta mas quem se importa? Vai me dizer que não curtiu zoar aqui hoje, heim,heim?
-        Zaaccccccccccccc! Eu vô te matar seu insolenteeee! – disse Nina muito nervosa.
Foi comédia, por mais assustada que ela estivesse, dava pra ver que no fundo ela tava rindo e a Mary também. Rê parecia confortá-la como todas as outras vezes. Sei que por mais que elas parecessem nervosas e assustadas, elas curtiam as zoações, afinal se não fosse por nós, a escola seria apenas um lugar chato a se freqüentar. Então durante um tempo, tive que fugir de Nina, que não parava de correr atrás de mim com uma espada de plástico do clube de teatro, mas aí o tempo delas disponível no teatro já estava acabando, elas tinham apenas conseguido uns 45 min, pois já era tarde. Com o fim, resolvemos parar pelo menos naquele dia e irmos todos embora, morávamos todos próximos dali mesmo.
-        Então meninas, vamos?
-        Fazer o que né, você mora perto das nossas casas mesmo Zac, sua companhia é chata, mas é melhor que nada. – disse Nina
-        Haha, tenho que escutar essa agora, sei que vocês tão se cagando de medo, por irem embora sozinhas, e já passa das seis da tarde.
-        Medo não sei do que. Se toca garoto, não acontece nada na nossa cidade, nesse fim de mundo.
-        Uai? Mas é por isso mesmo, vocês devem temer o nada, acho que é bem mais assustador não poder velos, não é mesmo, você aí atrás dela.
-        Heim, ta maluco Zac, ta falando com quem? E... – Nina vira calmamente.
-        Buhhhhhh!
-        Ahhhhhhhhhhhhhhh, correee meninas.
-        Ei calma Nina. Zac você não presta mesmo, vamos Mary, se não ela vai se machucar de alguma forma. – disse Regina, puxando Mary pela mão.
-        Ei, espera! Eu não tive culpa, foi tudo ele, é sempre ele.
-        Ô Leon, deixa afinal você esqueceu, temos treino daqui a pouco, hoje você tem que me ensinar alguns golpes.
-        Ah é, tinha me esquecido cara, bom então vamo fechar tudo e entregar a chave, para irmos logo.
Leon era meio voado, mas dessa vez ele não tinha culpa, ficou tão entretido com a artimanha feita para as meninas que acabou esquecendo do treino. E outra, ele não se preocupava muito, afinal ele já treinava há bastante tempo e já tinha dominado quase todas as tecnicas do mestre. Logo ele poderia até tomar o seu lugar e começar a lecionar os mais novos. Como o professor mesmo disse, ele era um talento nato, raro de se ver nesses tempos, uma pessoa ser capaz de aprender tudo com facilidade em pouco tempo de treino, e aperfeiçoar boa parte de suas tecnicas por si só, merecia ser chamado de prodígio.
Então para não nos atrasarmos, peguei a cabeça de boneca, na qual tinha usado para assustar a nina antes dela sair correndo, e fui apagar as luzes, até que...
-        Ei Zac, por que ta demorando vamos logo. Zac? Ei Zac, responde. Por que você tai parado.
Um silencio tomou conta do lugar por um instante, eu não sei direito o que aconteceu, mas apenas fiquei com uma sensação de que estávamos sendo vigiados, sei que era doideira minha, afinal não tinha ninguém mais ali, só nos dois, ou será que tinha e não tínhamos vistos.
-        Ah, foi mau cara, num foi nada, apenas tive uma tonteira aqui. Mas vambora.
Achei melhor não falar nada pro Leon, mas geralmente quando eu sentia isso, algo de ruim acontecia, podia até ser doideira minha, mas era algo que já me atormentava há certo tempo, não sei direito quanto, mas sabia que era suficiente para me deixar grilado, pelo menos até algo realmente acontecer ou não.
Saímos da escola, e partimos para a academia de kendô, praticávamos pelo menos três vezes por semana. Eu fazia há pouco tempo, mas não ficava pra trás, a não ser pelo Leon, que não era normal. A caminho da academia fomos discutindo sobre o que ele me ensinaria naquela noite, sobre ele já ser bom o suficiente para ensinar a qualquer um. E sem percebermos o tempo foi fechando, ficou mais escuro do que o normal, era obvio que poderia chover a qualquer momento, mas não ligávamos para isso, afinal a academia ficava a poucos minutos de nossa casa.




Continua...